sexta-feira, 2 de julho de 2010

CÁ SE FAZEM, CÁ SE PAGAM 2

Diversos analistas, comentaristas, editorialistas, colunistas formaram uma unanimidade sobre a pouca força política do Partido Democrata (DEM), logo após a divulgação, pelas vias oficiais, do nome do candidato à vice-presidência da República, o senador Álvaro Dias, do mesmo partido do candidato à presidência, José Serra – Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Mal tinha sido feito o anúncio, o DEM veio à praça pública estrebuchar, alegando (gritando) que o lugar seria seu, por acordo com o aliado PSDB, uma vez que o candidato que poderia ser aceite por todos – o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, também do PSDB – rejeitara o (en)cargo.

Então, aqueles analistas, comentaristas, editorialistas e colunistas reiteraram nos seus escritos a fragilidade do DEM, e quase galhofaram, assegurando que estava feito e ponto final: o vice de Serra era Álvaro Dias, e os DEM que se conformassem.

Opiniões temporãs e pouco fundamentadas, pelo que se viu a seguir.

O assunto tomou proporções inusitadas de guerra entre aliados, com ameaças do DEM de se retirar da aliança e, consequentemente, de deixar de apoiar a candidatura de Serra.

Por certo muito mais foi dito nos bastidores e não divulgado (ainda). Serra teve de intervir, e o caso acabou por ser resolvido pelos velhos chefões dos dois partidos, reunidos à pressa, madrugada dentro, antes que a coisa azedasse ainda mais.

Perante uma opinião pública pasmada com tanto amadorismo, o PSDB acabou por passar pelo vexame de dar o dito por não dito, vergando-se à imposição do tal “partido fraquinho”, e infligindo ao seu senador Álvaro Dias, homem de prestígio, uma humilhação que jamais aconteceria se o projecto tivesse sido amadurecido e desenvolvido com tempo, de forma profissional e segundo parâmetros politicamente correctos.

A seguir veio o despropósito: a imposição por parte do DEM de Indio da Costa, um jovenzinho deputado federal de 39 anos, do Rio de Janeiro, o terceiro círculo eleitoral, praticamente desconhecido da população, cujo único acto de destaque foi, ao que parece, o de relator do projecto de iniciativa popular “ficha limpa” (já aqui referido numa análise anterior). Nada de mais relevante tem a oferecer aos eleitores em termos de experiência e muito menos de peso político.

A juventude é importante para a renovação política a nível de ideias, de entusiasmo, de dinamismo, mas há necessidade de diferenciar patamares: nem tanto ao mar, nem tanto à terra; juventude em política não é o mesmo que juventude em futebol.

Por maiores que sejam as qualidades de Indio da Costa, estaria preparado para ser o presidente da República Federativa do Brasil em caso de impedimento do titular José Serra? Creio que não. Se tal tivesse de acontecer, em caso de período prolongado, é previsível que seria devorado pelos tubarões da politiquice.

PSDB e DEM primaram pela falta de senso e deram aos eleitores uma triste imagem de incompetência, vazio e desunião, criando, assim, a José Serra dificuldades acrescidas na sua já sobejamente dificultada campanha.

Claro que nada disto terá importância se nem Serra nem o PSDB estiverem interessados na presidência da República. Mas se assim for, então a política, no Brasil, não passa de uma batata.

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