Um país que pretende ser uma potência com papel preponderante no mundo, influente e respeitada tem de ter uma política externa nacional, isto é, uma política externa de acordo com os objectivos do seu povo na procura e consecução de uma qualidade de vida com que se sinta feliz.
O Brasil quer afirmar-se, disputando com a Venezuela actual, a do tresloucado Chavez, a liderança da América do Sul, e impor a sua participação activa e relevante na condução dos negócios do planeta.
Mas o Brasil não tem uma política externa nacional: tem uma política externa pessoal.
Ao longo dos últimos 7 anos, mesmo nos períodos de maior actividade e discussão política, que são os anos eleitorais, nunca do governo, na pessoa do presidente ou dos ministros, nem dos partidos, nem dos políticos, nem dos candidatos a sê-lo se ouviu alguma explicação, explanação, debate, controvérsia ou proposta sobre aquilo que é, que deveria ser ou que se ambiciona que seja a política externa brasileira - precisamente porque tal noção não existe.
As reclamações oposicionistas, quando acontecem, sobre actos de política externa constituem meras considerações avulso, geralmente de carácter eleitoralista, fora de um contexto vasto e abrangente de política externa, desenquadradas de uma filosofia que lhes sirva de suporte, sem qualquer rumo consistente que polarize, congregue e traduza a vontade popular democraticamente expressa. É verdade que tal expressão, nesse particular, se torna difícil numa sociedade de elevado índice de analfabetismo, de baixa capacidade crítica e de quase nula cultura política. Mas não será menos certo que o contexto, a filosofia e o rumo atrás referidos são inexistentes porque não fazem parte das preocupações do governo.
Uma política externa coerente implica visão e estratégia de longo prazo. Mas o que aqui se observa são tácticas desligadas e desarticuladas, desconexas, com base no imediato e ao sabor do momento e, o que é pior, muitas vezes segundo o capricho verborreico do presidente.
Claro que o atrevimento verbal do chefe do executivo não advém apenas, nem talvez principalmente, do despreparo em áreas sensíveis e do seu rasteiro nível cultural, em sentido restrito; reflecte, mesmo que aqui e ali de forma inconsciente, um projecto individual de poder e de ostentação de imagem seja a que preço for.
Essa indefinição quanto a uma política externa nacional, substituída por uma política externa pessoal, se assim se poderá chamar, conduz a embaraços e a olhares de esguelha por parte de outras nações. Alguns factos recentes são prova disto: a condenação imediata e leviana, sem conhecimentos técnicos nem jurídicos, do procedimento do supremo tribunal das Honduras em relação ao golpista Manuel Zelaya; o acolhimento incondicional ao mesmo Zelaya na embaixada do Brasil na capital hondurenha, sem clarificação do estatuto oficial que lhe foi atribuído; a permissão de Zelaya usar aquela embaixada como escritório político e base de apelo à insurreição e ao desacato junto dos cidadãos de Honduras; o abrigo político ao criminoso italiano Battisti, condenado pelos tribunais de França e de Itália por homicídio de 4 pessoas; a recepção calorosa ao presidente do Irão que se encontra em rota de colisão com a maioria da comunidade internacional devido aos seus projectos nucleares e à divulgação das suas ideias anti-semitas; a promessa pública de compra dos caças Rafale ao presidente francês, aquando de uma recente visita deste ao Brasil, embora não tivesse ainda terminado a avaliação das 3 propostas em presença (França, EUA e Suécia); a não demarcação das chamadas políticas bolivarianas de Chavez, Morales e Correa e do ex-bispo Lugo, naquilo que elas têm trazido, e podem trazer, de prejuízo para o Brasil; a afirmação teimosamente matuta do não reconhecimento do resultado das eleições nas Honduras, que ainda não se realizaram e que têm o aval expresso dos EUA e silencioso, até agora, de grande número de países do mundo.
A política externa é uma função de Estado, e não pode estar sujeita a oscilações de ocasião, quase de humores, nem ser objecto de opiniões díspares de amadores convencidos e arvorados em "conselheiros especiais" a quem, sem competência para mais nada, foram atribuídas, de forma equivocada, já se vê, funções de responsabilidade por razões unicamente políticas.
Por outro lado, querer agradar a todos, a gregos e a troianos, pretender estar de bem com deus e com o diabo, é o indício mais evidente da ausência total e absoluta de uma política externa.
Como facilmente se imagina, uma tal atitude obriga a frequentes e inconsistentes gigajogas que só deixam ficar mal o país no concerto das nações. Mas assim continuará a ser enquanto não existir uma linha mestra de actuação, e enquanto os cargos técnicos forem ocupados segundo critérios políticos por gente sem qualificação nem preparação para os ocupar.
À fragilidade e à vulnerabilidade que isso acarreta para o Brasil, respondem os governantes com discursos arrogantes, incongruentes e precários; muitas vezes burlescos.
Não será assim, seguramente, que se conseguirá um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU - mesmo que ele não valha a pena.
O Brasil quer afirmar-se, disputando com a Venezuela actual, a do tresloucado Chavez, a liderança da América do Sul, e impor a sua participação activa e relevante na condução dos negócios do planeta.
Mas o Brasil não tem uma política externa nacional: tem uma política externa pessoal.
Ao longo dos últimos 7 anos, mesmo nos períodos de maior actividade e discussão política, que são os anos eleitorais, nunca do governo, na pessoa do presidente ou dos ministros, nem dos partidos, nem dos políticos, nem dos candidatos a sê-lo se ouviu alguma explicação, explanação, debate, controvérsia ou proposta sobre aquilo que é, que deveria ser ou que se ambiciona que seja a política externa brasileira - precisamente porque tal noção não existe.
As reclamações oposicionistas, quando acontecem, sobre actos de política externa constituem meras considerações avulso, geralmente de carácter eleitoralista, fora de um contexto vasto e abrangente de política externa, desenquadradas de uma filosofia que lhes sirva de suporte, sem qualquer rumo consistente que polarize, congregue e traduza a vontade popular democraticamente expressa. É verdade que tal expressão, nesse particular, se torna difícil numa sociedade de elevado índice de analfabetismo, de baixa capacidade crítica e de quase nula cultura política. Mas não será menos certo que o contexto, a filosofia e o rumo atrás referidos são inexistentes porque não fazem parte das preocupações do governo.
Uma política externa coerente implica visão e estratégia de longo prazo. Mas o que aqui se observa são tácticas desligadas e desarticuladas, desconexas, com base no imediato e ao sabor do momento e, o que é pior, muitas vezes segundo o capricho verborreico do presidente.
Claro que o atrevimento verbal do chefe do executivo não advém apenas, nem talvez principalmente, do despreparo em áreas sensíveis e do seu rasteiro nível cultural, em sentido restrito; reflecte, mesmo que aqui e ali de forma inconsciente, um projecto individual de poder e de ostentação de imagem seja a que preço for.
Essa indefinição quanto a uma política externa nacional, substituída por uma política externa pessoal, se assim se poderá chamar, conduz a embaraços e a olhares de esguelha por parte de outras nações. Alguns factos recentes são prova disto: a condenação imediata e leviana, sem conhecimentos técnicos nem jurídicos, do procedimento do supremo tribunal das Honduras em relação ao golpista Manuel Zelaya; o acolhimento incondicional ao mesmo Zelaya na embaixada do Brasil na capital hondurenha, sem clarificação do estatuto oficial que lhe foi atribuído; a permissão de Zelaya usar aquela embaixada como escritório político e base de apelo à insurreição e ao desacato junto dos cidadãos de Honduras; o abrigo político ao criminoso italiano Battisti, condenado pelos tribunais de França e de Itália por homicídio de 4 pessoas; a recepção calorosa ao presidente do Irão que se encontra em rota de colisão com a maioria da comunidade internacional devido aos seus projectos nucleares e à divulgação das suas ideias anti-semitas; a promessa pública de compra dos caças Rafale ao presidente francês, aquando de uma recente visita deste ao Brasil, embora não tivesse ainda terminado a avaliação das 3 propostas em presença (França, EUA e Suécia); a não demarcação das chamadas políticas bolivarianas de Chavez, Morales e Correa e do ex-bispo Lugo, naquilo que elas têm trazido, e podem trazer, de prejuízo para o Brasil; a afirmação teimosamente matuta do não reconhecimento do resultado das eleições nas Honduras, que ainda não se realizaram e que têm o aval expresso dos EUA e silencioso, até agora, de grande número de países do mundo.
A política externa é uma função de Estado, e não pode estar sujeita a oscilações de ocasião, quase de humores, nem ser objecto de opiniões díspares de amadores convencidos e arvorados em "conselheiros especiais" a quem, sem competência para mais nada, foram atribuídas, de forma equivocada, já se vê, funções de responsabilidade por razões unicamente políticas.
Por outro lado, querer agradar a todos, a gregos e a troianos, pretender estar de bem com deus e com o diabo, é o indício mais evidente da ausência total e absoluta de uma política externa.
Como facilmente se imagina, uma tal atitude obriga a frequentes e inconsistentes gigajogas que só deixam ficar mal o país no concerto das nações. Mas assim continuará a ser enquanto não existir uma linha mestra de actuação, e enquanto os cargos técnicos forem ocupados segundo critérios políticos por gente sem qualificação nem preparação para os ocupar.
À fragilidade e à vulnerabilidade que isso acarreta para o Brasil, respondem os governantes com discursos arrogantes, incongruentes e precários; muitas vezes burlescos.
Não será assim, seguramente, que se conseguirá um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU - mesmo que ele não valha a pena.

Sem comentários:
Enviar um comentário