terça-feira, 6 de outubro de 2009

TUDO BEM ENCAMINHADO E... DOMINADO

Não por mérito próprio - bem pelo contrário - mas através de jogatinas de bastidores denunciadas pelos Japoneses e confirmadas pelo governo brasileiro que as apelidou, cinicamente, de "acções de política externa", o Rio de Janeiro foi a cidade escolhida para albergar os Jogos Olímpicos de 2016.
O orçamento anunciado de 24,4 bilhões de Reais (mais de nove bilhões de Euros), duas a três vezes superior aos outros concorrentes de Tóquio, Madrid ou Chicago, em meia dúzia de dias saltou para 28 bilhões, e, recentemente, o presidente da República, Lula da Silva, apontou já 28,8 bilhões...
Tudo a inchar. Logo, tudo bem encaminhado para os urubus do erário...
Em 2007, a mesma cidade do Rio sediara os jogos Pan-americanos, cujo orçamento acabou por ser ultrapassado em cerca de 1000% (mil por cento). E, embora já tenham decorrido dois anos, as contas ainda não foram analisadas na íntegra. No entanto, naquilo que está auditado, as entidades competentes, o Tribunal de Contas da União (TCU), detectaram uma roubalheira de 18,4 milhões de Reais (mais de sete milhões de Euros) e condenaram um tal Ricardo Leyser e outros envolvidos na organização dos Pan-americanos de 2007 a devolvê-los aos cofres públicos.
Ricardo foi julgado em dois processos abertos para apurar o sobrefacturamento mediante fraudes na realização dos jogos.
Acontece, porém, que o mesmo Ricardo está nomeado chefe do recém criado (pelo Governo Federal) comité para a candidatura do Rio às Olimpíadas de 2016. Isto significa que será o homem a gerir os muitos bilhões a libertar pelos governos federal, estadual e municipal.
O escândalo veio a público; e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, apressou-se a vir a público, também, para defender Ricardo Leyser, afirmando que não vê razões para pedir o seu afastamento, uma vez que "é um profissional muito competente".
A indicação para os jogos no Rio foi há quatro dias e ainda faltam sete anos. Pelos vistos, está tudo bem encaminhado e... dominado.
Se coisas correrem como se pensa e se apurassem como seria desejável, haveria em 2017 cadeia com vagas suficientes?...