quarta-feira, 29 de julho de 2009

NUNCA ANTES...

"Nunca antes na história deste país..." é a frase preferida pelo presidente da República do Brasil, Sr Luís Inácio Lula da Silva, para introduzir nos ouvintes, que, para ele, são apenas potenciais eleitores, a propaganda aos atos do Governo a que preside; os atos que, do seu ponto de vista, poderão render votos no futuro e aplausos à sua imagem no imediato.
Pena é que o presidente da república do Brasil, Sr Luís Inácio Lula da Silva, não utilize essa mesma frase para dizer aos seus concidadãos que não é cúmplice da forma sórdida como o exercício da Política é praticado neste país.
Poderia ser assim: Nunca antes na História deste país houve tanta roubalheira feita por tantos políticos ao longo de tanto tempo descoberta em tão pouco tempo.
Claro que isto não o inocentaria das suas próprias culpas (porque tão ladrão é o que rouba como o que deixa roubar) mas, pelo menos, dava-lhe um pouco de colorido de honestidade política de que a sua figura tanto carece.
O brasileiro, a cada dia que passa, teria de espantar-se, caso alguma coisa o pudesse espantar ainda, perante a corrupção ousada e descarada que caracteriza a ação política no Brasil; e espantar-se, ainda mais, pela impunidade que protege essa prática.
Na verdade, perante tantas e tamanhas denúncias confirmadas de devassidão na Administração Pública, sob a forma de vigarices de vária ordem e abusos de toda a espécie de que é protagonista a corja que constitui a maioria da classe política brasileira, num país que fosse sério, decente e ético, enfim, civilizado, os visados há muito teriam posto os seus cargos à disposição e abandonado de vez a cena política.
Mas o Brasil não funciona assim, a começar pelo próprio presidente da República.
O Sr Luís Inácio Lula da Silva que deveria ser o guardião e o exemplo da moral e dos bons costumes no que respeita à coisa pública é, pelo contrário, o principal modelo desencaminhador, ao acobertar e defender, sem honra nem decência, os salafrários que povoam os três Poderes, mesmo quando eles são flagrados em ilicitudes de que são sempre vítimas os cidadãos de bem.
Recentemente, ao referir-se ao presidente do Senado, um dos últimos representantes do coronelismo nordestino, envolvido, só ou com diversos membros de sua família, em variadíssimas tramóias, afirmou: "Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum". Tem história, tem. A família Sarney é a principal responsável pela situação de subdesenvolvimento em que se encontra o segundo estado mais miserável do país – Maranhão.
Cerca de uma semana depois, na tomada de posse do novo Procurador-Geral da República, o Sr Lula da Silva disse que o Ministério Público, ao investigar, deverá ter em conta a biografia de quem está a ser investigado. Sugere, assim, que há malandros de primeira e malandros de segunda, e admite que as torpezas do presente têm de ser perdoadas, tentando fazer esquecer que o criminoso comum pode ter sido, até momentos antes do crime, um herói.
Logo no dia seguinte, ainda a propósito de Sarney, defendeu que "denúncias não são motivos para renúncia". É certo que há denúncias e denúncias. Mas as que incidem sobre Sarney são suficientemente comprometedoras para que qualquer político com um mínimo de moral e hombridade já tivesse apresentado a renúncia ao cargo sem necessitar de ser "empurrado".
Longe vai o tempo e a memória em que o presidente do sindicato dos Metalúrgicos, hoje presidente da República, agitava a bandeira da Ética contra os corruptos no Poder (alguns dos quais são hoje seus amigos pessoais e políticos), e chamava Sarney de "ladrão", alto e bom som, entre outros mimos lingüísticos.
Os desconchavos da primeira figura da Nação reduzem a chama da esperança num Brasil diferente, "um Brasil de todos", como diz a propaganda, a uma pequena candeia que se vai extinguindo, enquanto o país se torna cada vez mais num Brasil de todos os malandros.